quarta-feira, 23 de maio de 2012

stayin' alive



"Well, now I get low and I get high
And when I can't get either, I really try
Got the wings of heaven on my shoes
I'm a dancin' man and I just can't lose
You know, it's all right, it's okay
I'll live to see another day
We can try to understand
The New York Times' effect on man

Whether you're a brother or whether you're a mother
You're stayin' alive, stayin' alive
Feel the city breakin' and everybody shakin'
And you're stayin' alive, stayin' alive"
     
     Chega um momento em nossas vidas em que músicas do Bee Gees começam a fazer sentido. Esse momento, por mais surpreendente que isso possa ser, é menos decadente do que poderíamos esperar. Talvez essa música esteja fazendo sentido simplesmente por falar sobre uma das coisas mais impressionantes sobre a vida: a gente segue em frente sem nem saber o que isso significa. O mundo vai estar prestes a virar poeira e sobre a Terra só restarão os homens e as baratas - e os homens ainda estarão insistindo na produção de inseticidas. E quando em frente a diversidades o que fazemos? Respiramos fundo e cantarolamos. Porque You're stayin' alive. Tanta sofisticação pra nos gabarmos do nosso instinto mais primordial, afinal de contas. 
     
   

p.s.: e como a vida que se renova, porém não de forma tão grandiosa, ressurge esse bloguinho em uma roupagem nova. Meu muitíssimo obrigada pro Vinicius, também conhecido por aqui como o meu respectivo :) 

domingo, 6 de maio de 2012

growing up is hard to do


     Nessa sexta-feira meu irmão mais novo foi em uma festinha da escola. Quando voltou para casa, por volta das onze da noite, olhou para mim e soltou a flechada:

     - por que você já está de pijama??

     O pior é que eu estava de pijamas desde a hora que ele saiu pra tal festinha.

     Mas acho que esse é o sinal mais claro possível de que meu corpitcho está finalmente alcançando minha alma de velha.

      Mais uns quarenta anos e estaremos emparelhadas, certeza.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

     Li esses dias Édipo Rei, de Sófocles. Já sabia, previamente a leitura, toda a trama, mas não pude deixar de me espantar com a maneira incrível que a trama é construída de maneira quase simples, uma harmonia que parece espontânea. Compreender a essência do texto é o mesmo que tentar segurar com as mãos a neblina da manhã - mesmo que falha, após a vã tentativa, é impossível escapar de ter as mãos geladas e úmidas. Se Édipo Rei  fala sobre a inexorabilidade do destino, fala também - na minha humilde opinião - sobre como ao procurar o mau o encontramos mais rápido se olhamos para nós mesmos. Édipo imagina-se nobre, bom governante, libertação de seu povo. Busca o mal que o assola e o descobre em si mesmo. Conhece-te a ti mesmo. Édipo não se conhece. Quando, finalmente, vê a si mesmo fura os próprios olhos, abandonando Tebas para expurgá-la do mal que trouxe para a cidade. Porém fura os próprios olhos para não ver seus feitos que refletem ele mesmo. Édipo não suporta ver sua própria pequenez e ignorância.

“I saw my life branching out before me like the green fig tree in the story. From the tip of every branch, like a fat purple fig, a wonderful future beckoned and winked. One fig was a husband and a happy home and children, and another fig was a famous poet and another fig was a brilliant professor, and another fig was Ee Gee, the amazing editor, and another fig was Europe and Africa and South America, and another fig was Constantin and Socrates and Attila and a pack of other lovers with queer names and offbeat professions, and another fig was an Olympic lady crew champion, and beyond and above these figs were many more figs I couldn’t quite make out. I saw myself sitting in the crotch of this fig tree, starving to death, just because I couldn’t make up my mind which of the figs I would choose. I wanted each and every one of them, but choosing one meant losing all the rest, and, as I sat there, unable to decide, the figs began to wrinkle and go black, and, one by one, they plopped to the ground at my feet.” 

Sylvia Plath In: The Bell Jar

quarta-feira, 11 de abril de 2012

a vida segundo peanuts


   Além de chocolates, ganhei do namorado esse livrinho na páscoa. O livrinho traz algumas reflexões no formato quase de aforismos e uma tirinha para cada tema (amor, confiança e por aí vai) com desenhos lindos. Como eu tenho um fraco por livros bonitos, acabei tirando algumas fotos e pensei em postar por aqui. Esse livrinho é de encher os olhos!
sou um pouquinho lucy, né?


impossível não pensar na eterna luta professor vs escola :P
      Deu pra perceber que minha favorita é a Lucy? Rola uma pequena identificação... pequena, eu juro!

sexta-feira, 30 de março de 2012

realidade = entretenimento?

você já ouviu falar de mim
      Semana passada estreou nos cinemas nacionais Jogos Vorazes (The Hunger Games) baseado no livro de mesmo título. Meu objetivo aqui não é falar sobre a série ou entrar em seus méritos e deméritos (adianto, porém, que li o primeiro volume e achei bem bacana e até ousado para um livro de entretenimento), mas sim discutir uma das questões centrais que permeiam tanto a versão cinematográfica quanto o livro: o (bizarro) mundo dos reality show
         É inegável que desde o advento dos reality shows, eles passaram a fazer parte da televisão. Aqui no Brasil, o primeiro a cair de verdade no gosto popular foi "A casa dos artistas" (última empreitada de sucesso do sbt? talvez). A razão de ser desse post é especular o porquê desse tipo de programa ter um público tão grande.
          Uma das coisas mais fascinantes nesse tipo de programa é que ele é, obviamente, editado. Embora exista a opção do pay-per-view, poucas pessoas dedicam-se tanto assim (fora que, menos assim ainda existe um certo controle do que é exibido). De qualquer forma, a edição deve condensar em alguns minutos os acontecimentos de um dia. Esse condensar torna-se, por vez, a criação de uma narrativa que possa ser acompanhada pelo espectador e que, invariavelmente, segue os mesmos "caminhos" que as narrativas ficcionais com as quais o público está acostumado. Dessa forma, o espectador se vê novamente no conforto da previsibilidade que rege a maioria das produções que acompanham diariamente na televisão.
        Esse processo é, ouso dizer, uma ficcionalização da realidade. Essa experiência limite tem em seus espectadores o efeito de torná-los indiferentes à realidade do outro - especialmente quando somamos esse processo ao empoderamento do espectador, que passa a ter poder de decisão sobre a vida daqueles que observa. Ao colocar o público na posição de juiz, é exigido então que sejam emitidos um juiz de valor acerca das atitudes e personas de cada um dos jogadores. A situação torna-se ainda mais difícil de decifrar quando pensamos nos "jogadores" como conscientes de estarem sendo observados e julgados constantemente. O melhor jogador costuma ser, portanto, aquele capaz de ou enganar o público ou conquistá-lo de forma genuína. Porém, para isso, é necessário que surjam antagonismos. Vemos então, as pessoas assumindo papéis e o desenrolar da trama. Até o momento em que algo nos faz lembrar que ali estão pessoas de verdade. 
        Sei que estou, aqui, arranhando a superfície de uma questão complexa. Interessa-me, aqui, somente os reality shows que consistem em jogos. Devemos, no entanto, lembrar que já existem outros tipos, sendo o menos interessante para nossa reflexão aquele em que acompanhamos a "vida" de alguém pelo simples motivo que a ficcionalização é explícita. A construção da imagem se dá a olhos nus, sendo mais bem sucedida quando se torna mais imperceptível. 
       Nesses jogos, uma coisa se perde: a identidade. O sujeito que ingressa nesses jogos vende sua identidade em troca de um objetivo (a fama, o dinheiro... ou, no caso de Katniss Everdeen e sua distopia, a sobrevivência). No entanto, a heroína resiste... talvez essas heroínas estejam escassas na vida real. E nosso público, por não se enxergar em uma distopia (não ousaria dizer "por não viver") reage menos. Enquanto isso, a linha entre ficção e realidade torna-se cada vez mais tênue.... ou talvez tenha sempre sido. Como nos primórdios do romance (enquanto gênero literário) em que os autores lançavam mãos de técnicas que criassem sempre o efeito da verossimilhança... talvez estejamos meramente diante de uma nova técnica de ficção. Uma que, infelizmente, não desafia seu espectador. 


domingo, 18 de março de 2012

Dos sacrifícios que tenho que fazer por causa da faculdade


     Pra ser sincera, eu esperava esse momento desde que prestei vestibular e tinha que registrá-lo aqui agora que ele finalmente chegou ♥.
Acho que nunca fiz um post sobre esse livro aqui simplesmente porque é muito difícil explicar o que significa para mim. A primeira vez que li devia ter entre 12 e 13 anos. O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë é o livro favorito da minha mãe, então ela logo me indicou. Eu já tinha certo gosto pela leitura, mas foi esse livro que despertou uma paixão ensandecida (e qual livro seria mais apropriado para esse tipo de paixão?). Logo, é lógico que nem hesitei na hora de escolher como segunda língua o inglês e mal podia esperar para ter aulas sobre a literatura britânica e, quem sabe, ler esse livro para a faculdade! (Ou, pelo menos, Jane Eyre de Charlotte Brontë).
      O mais legal disso tudo é que a experiência de leitura vai ser renovada por, além de um olhar mais apurado e textos teóricos como suporte, o desafio de ler em inglês. Pretendia comprar o livro, mas como nenhuma das edições que vi me agradaram, corri pra biblioteca da UNESP e encontrei essa que vem recheada de textos introdutórios (os prefácios escritos pela Charlotte, no entanto, já eram conhecidos meus da edição linda que tenho em português). Está sendo uma experiência tão mágica quanto eu esperava... e estou realmente ansiosa para fazer o trabalho sobre o livro! (nerd pride, hahaha!).
      Normalmente não faço isso, mas pirei na folha de rosto (?) dessa edição e precisei registrar!

Pirei muito no pseudônimo sob o qual a Emily Brontë publicou o livro ali 

E, claro, pirei muito na data e endereço da primeira publicação!


     Tenho feito muitos posts sobre assuntos acadêmicos, mas ao mesmo tempo acho que eles não são tão acadêmicos assim. Acho que já estou nostálgica pelo fim da graduação :)


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